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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Como escolher um arquiteto(a) ou escritório?

Muitas pessoas preferem o estilo canetinha de ouro, mesmo que o texto seja horrível.

É o escritório que vai fazer o melhor projeto para você, com custo correto e justo, com detalhamento e preocupação com o projeto, custo de revenda, usabilidade, equilíbrio entre investimento e retorno, durabilidade etc.
Importante é saber que nem todo estabelecimento lindo e bem localizado, mesmo em se tratando de arquitetura, é um bom escritório. Isso porque não existe relação entre recursos para a montagem do escritório, e a sua produção projetual posterior. Ainda que haja tendência para a extensão, já que o estabelecimento deveria em tese refletir o trabalho lá realizado.

Em geral os escritórios de arquitetura não tem necessariamente a cara dos projetos que produzem. São locais de trabalho e refletem a personalidade subjetiva do proprietário ou socios, e recuros disponíveis em período provavelmente anterior ao que você visitou. Em geral, podem ser neutros e simples por atenderem a diversos tipos de clientes e gostos.
Outras pessoas visualizam o conteúdo da mensagem, e não a forma com que ela foi produzida. A caneta esferográfica por exemplo só foi inventada no séc. XX e toda a história anterior foi escrita em bico de pena...

E também, redundante mas vale lembrar, que nem todo estabelecimento mal acabado é incapaz de fazer um projeto de primeira, grande e suntuoso. Não é pretensão minha aqui, listar nem julgar nem categorizar ninguém. São infinitas possibilidades. Mas a partir da minha experiência e convívio com muitas pessoas e boas conversas, percebi que existem algumas preocupações com relação a esses aspectos no momento da contratação de um arquiteto(a), e também alguns pre-julgamentos que são infundados.

Para alguns povos e civilizações, a escrita não é só uma forma de se anotar informações: a arte caligráfica oriental por exemplo é de tamanho destaque que o caminho da pena é tão importante quanto o caminho da espada, numa cultura dominada pela arte do esgrima de da guerra entre shoguns e samurais (foi absolutamente assim, hoje é permeada por esses conceitos). Além disso, o conteúdo e a expressão atingem limites espirituais de interpretação, indo muito além do conteúdo em si.

São só ilustrações onde algumas pessoas podem não concordar com estes pontos de vistas (não necessariamente meus, mas genéricos). Algumas partes deste livro serão consideradas redundantes e superficiais, talvez desnecessárias, do ponto de vista de alguns leitores. Mas, aprendi que as pessoas não lêem pensamentos e não adivinham as coisas, e sabem coisas que não imaginamos, e ao mesmo tempo nem suspeitam de coisas que supomos que elas saibam e achem realmente óbvio. Não temo aqui ser redundante ou repetitivo. É um livro didático, para leigos principalmente, mas também para apresentar outros pontos de vista para personalidades que já são familiarizadas com os temas aqui dissertados.
Mas vejamos algumas situações:

1) Conduta x aparência dos projetos

Qual o estilo desse arquiteto? 
Caro amigo(a). Jamais suponha que um estilo plástico de trabalho predominante quer necessariamente dizer que o profissional é especializado ou bom naquilo. Pode ser até o contrário. O que eu quero dizer com plástico, é o resultado final, a “plástica escultórica” da obra. 
Não, definitivamente não é isso que determina o estilo de trabalho dos arquitetos, mas sua conduta, sua forma de tomar decisões, estéticas, geométricas, financeiras ou não.
Há arquitetos formalistas que começam o projeto de fora para dentro, preocupados com quem vai ver a sua obra, se vão achar lindo e etc, e forçam o uso interno a se enquadrar naqueles termos. Isso muitas vezes funciona, mas nem sempre. Outros, começam de dentro para fora sem se preocupar com o resultado plástico, o que é péssimo também. O ideal é um equilíbrio e uma solução inteligente de bom uso e layout interno, com custos e materiais bem dosados, e resultado plástico externo coerente e valorizado, o belo, mas não a casca acima de todos os outros valores da obra.
O estilo é resultado portanto, do que o profissional inclui na dosagem de suas decisões: o custo ao proprietário, a privacidade, o bom uso, a durabilidade, a beleza, a manutenção, o risco de obsolencia ou de desvalorização, a mão-de-obra, a viabilidade estrutural... Por isso, estilo é igual a conduta. Se o profissional prioriza a casca e força sua obra para aquele mesmo desenho ou tipologia, ele não é um bom profissional pois vai também, enquadrar os sonhos, desejos e orçamentos do proprietário dentro de seu repertório fechado. O ideal é que ele seja abrangente, e consiga trabalhar bem, tanto com metálicas, concreto, madeira, telhados visíveis, embutidos, vidro, esquadrias de madeira, rústico e sofisticado, o econômico e o suntuoso, etc. Para tanto, melhor haver uma postura estrutural e não uma pré-postura estilística. Mesmo porque acabamentos de primeira dependem no final das contas, do bolso do cliente, e não de decisões projetuais. Simplificando, o profissional tem que fazer muita força para obter um resultado desagradável com revestimentos de alto padrão. O que já é o contrário com baixo padrão...

2) Escritório lindo e bem localizado, nome badalado. 

a. Não quer dizer que faça os melhores projetos sempre. Pode significar apenas que a família ou o profissional teve mais dinheiro e condições para começar melhor, e no ciclo, se desenvolveu com clientes mais “caros”. Isso também não quer dizer que os projetos sejam mais desenvolvidos. Todos os clientes são leigos até certo ponto. Muitos projetos são lindos por fora, e não tão bons em todo o resto. Mas pode ser que o profissional seja excelente, responsável, capaz e de visão. E por isso progrediu, com ou sem ajuda de alguém ou familiar, e tem agora um escritório num lugar excelente e muitas obras. 
b. Há casos em que a família injeta dinheiro por 10 anos enquanto o profissional em questão usa clientes de cobaia até formar uma cartela boa de clientes, e mantém o nome associado a uma boa localização. Sozinho estaria condenado, mas o invisível faz parte do jogo da grife.
c. Profissional de alto desempenho, qualidade, profissionalismo, pode ter origem de berço de ouro ou ter nascido numa tapera. Pode ter vindo de uma cidadezinha infeliz num lugar esquecido por Deus. Existe isso? Sim. Felizmente! Existem muitos profissionais que se tornaram famosos e badalados por sua competência, e isso é louvável, e felizmente ainda é possível! É o desejo de todo profissional, seja atingir um nível alto ou mais alto ainda, e ser respeitado por sua competência, não por méritos que não são verdadeiramente dele.


3) Escritório mal acabado, mal localizado, profissional simplório

a. Pode estar nadando sem sair do lugar há anos, pode ter começado sem recursos e já deveria ter mudado de profissão, mas arquitetura é uma coisa que quem faz ama... e teima!
b. Pode ter dificuldades familiares, pode ser um excelente projetista e arquiteto e ser um péssimo administrador da própria vida. Pode estar tão preocupado com os outros (cliente) e deixar de lado sua própria vida, seu estabelecimento, sua aparência, etc. Isso não significa necessariamente que o trabalho dele seja assim, ele pode fazer tudo magnífico e melhor que um escritório renomado (que em alguns casos coloca estagiários do primeiro ano para criar os projetos) mas sua própria aparência é despojada. Veja o trabalho, e não a casca.
c. Pode ser assim por estilo, despojado até demais, na base do “não está nem aí para o que vão pensar”. O trabalho pode ser super profissional, pode preferir clientes menos empolados, menos preconceituosos, pode preferir conviver com pessoas simples e normais, mesmo sabendo que poderia ganhar muito mais se não fosse tão genioso ou simplório. Diriam alguns: sem ambição, mentalidade de pobre... enfim. Pode ser bem o contrário. 
d. Simplesmente, pode ter tido uma história não tão sortuda, ter muitos gastos, etc, parentes precisando, incidentes. Nem todo profissional é filho único e criado com os melhores recursos, e nem por isso vai fazer um trabalho ruim ou mediano.
e. Profissional barateiro: não sabe cobrar, muitas vezes fica no prejuízo, pois não inclui no custo do projeto todos os gastos diretos e indiretos, os riscos, manutenção de equipamentos, re-investimentos, taxas e impostos anuais, não organiza a vida pessoal e a profissional muitas vezes, olha apenas para o custo do projeto e não inclui isso como um fator de entrada na contabilidade de sua empresa. Isso não quer dizer que seja bom contrata-lo já que ele cobra barato demais: essa estrutura de comportamento pode prejudicar o seu projeto também.
f. Profissional que está começando ou está numa cidade com concorrentes demais, cidades que já estão saturadas.
Oscar Niemeyer em seu escritório aparentemente zoneado em Copacabana.


Para algumas pessoas, é carissimo para a alma pagar o preço de conviver com pessoas extremamente desagradáveis. E nem todo profissional dissocia o trabalho da vida particular, mais ainda porque o trabalho projetual é penetrar na alma e nos desejos arquitetonicos do cliente, nas necessidades, antes de gerar o projeto. É um convívio muito intenso, mesmo que o proprietário não esteja ali. Os arquitetos “dormem” com os clientes, sempre, durante anos. Por isso, se o cliente for desagradável, é muito dificil continuar. O projeto nem sai as vezes... 


4) Arquiteto(a) conservador, não inovador
a. Isso sim é polemico. Alguns profissionais são clássicos, tem experiência. Se por um lado eles são conservadores, podem perder uma boa parte da festa ao não utilizar novos produtos ou novos métodos e linguagens de projeto. Mas sua experiência pode ser muito bem vinda.
b. Pode ser aquele tipo de profissional que não muda nunca, e faz tudo do jeito que fazia a 40 anos atrás. Infelizmente... isso fica em geral, caro para o contratante.
c. Segurança é o seu sobrenome. Pode ser ótimo se o seu caso for um imóvel sem muita polemica... afinal de contas, obra não é brincadeira e segurança é um fator muito grande a ser considerado.
d. Pode ser o tipo de profissional que tem alguns clientes conservadores e que não permitem que ele inove. Talvez ele tente sempre, mas talvez o cliente corte tudo e faça um quadradinho simples. E vai parecer que a culpa é dele, mas não é...
5) Arquiteto(a) inovador 
a) Nem sempre isso é bom. Alguns profissionais são loucos para enfiar todas as coisas novas nos projetos, sendo que nem houve ainda um período de amadurecimento e teste daqueles elementos, nem se sabe se haverá necessidade de reposição e se haverá no mercado. Não sabem diferenciar onda, tendência e fluxo. Inovação não quer dizer sempre que é melhor. Muito do que é feito a moda antiga ainda é a melhor solução. E se é feito até hoje, nem sempre é por falta de opção. Fora que as vezes vira uma colcha de retalhos.
b) Pode agregar muito valor ao seu projeto. Mas veja que inovação em acabamentos por exemplo só é inovação durante um ano. Depois vira produto comum, e as vezes, produto que já deu o que tinha que dar, desvalorizando seu imóvel. Inove, mas com cuidado!

6) Arquiteto(a) pobre

a. Isso não quer dizer que ele não saiba fazer projetos de alto padrão. Isso simplesmente significa que ele não tem dinheiro ou é mal administrador de sua própria carreira ou vida.
b. Isso não implica que ele sofrerá porque sua futura obra é de 10 milhões e a casa dele nem chega perto do seu futuro canil. Isso pode acontecer, claro, de ele(a) sofrer pelo contraste, há almas e almas nesse mundo. Mas muitos arquitetos simplesmente ficariam muito, mas muito felizes em pegar um projeto de padrão mais elevado, e também porque a remuneração deverá ser proporcional, já que o trabalho é muito maior.
c. Se ele é pobre ou se está pobre é uma distinção importante. Mais pelo fato de que se teve ou tem convívio ou familiaridade com alto padrão, então seu repertório e “feeling” para projetos mais elaborados será melhor, provavelmente, bem mais próximo do que você deseja. Mas isso, como tudo, depende de cada um. Ser ou estar pobre é um estado de espírito, além de financeiro, e estar pobre ou rico é uma condição provisória.
d. Vai conhecer o projeto e vai me seqüestrar depois ou vai passar pra algum bandido. Sem comentários não? Mas tem gente que pensa esse tipo de coisa. Sei de uma pessoa que achou que seria assaltada na Unesp porque os alunos andavam de chinelo havaianas. Não posso garantir a índole de outros profissionais, mas arquietos não costumam planejar a própria vida nesses termos...

7) Arquiteto(a) rico
a. Com certeza seu escritório será num local mais privilegiado, terá acesso a clientes melhores desde o começo por contatos familiares, muitas vezes a própria família ou amigos ajudam no começo da carreira. A vantagem dos profissinais ricos é que eles as vezes tem a mente mais aberta para a qualidade e menos traumas de recursos limitados, podem pensar maior, pensam com grandiosidade financeira, sem medo e sem complexos. Não tem condicionamentos de restrição de tamanhos de espaços, tem repertório mais elaborado para obras de alto padrão, estão familiarizados com acabamentos melhores, viajaram, trazem novidades, enfim. Muitas vantagens,
b. Podem agregar algum valor ao seu projeto por ter uma assinatura “de grife”, o que é em alguns casos neutro e em outros um grande investimento. 
c. Podem tornar-se seus amigos e freqüentar os mesmos locais, se o seu caso for de um projeto de alto padrão. Você não terá receios de conversar com eles sobre questões de altos valores, investimentos e valores sociais que só os mais bem posicionados estão familiarizados e os menos afortunados não sabem exatamente o peso daquilo e daquilo outro... e também não terá problemas em expor seus valores pessoais que podem ser exclusivos, e distintos de valores mais modestos ditos populares.
d. Tem muitas vezes uma dosagem predominantemente voltada para a suntuosidade e sofisticação, em detrimento do custo e inteligência da obra, o que em caso de não haver problemas de custos, pode ser uma ótima idéia. Se bem que administrar bem seja característica dos mais abastados que constroem patrimônios, então veja o caso.

8) Arquieto(a) que tem muitas obras em pouco tempo

a. Já vi projetos de arquiteto(a)s assim. Encontrei muitos erros, infelizmente. Não são todos mas alguns fazem a toque de caixa, e atropelam erros projetuais ou inovam apenas para não “repetir” a receita, pois algumas coisas são boas em qualquer projeto, como por exemplo, área de serviço perto da cozinha, segurança da obra se não for em condomínio (e olhe lá!) e privacidade (vidros e mais vidros, depois cortinas e mais cortinas contra sol e mais sol o ano todo...) por exemplo. 
b. Podem ser os “master produtores” de projetos de alta qualidade. Ou ter uma grande equipe muito bem preparada, com ótimos projetos. Ah, não confundir equipe de arquitetos e projetistas com estagiários. Não desmerecendo os estagiários, já tive excelentes, inclusive, podem ser arquitetos formados e experientes fazendo estágio... mas volume de equipe e de projetos não é diretamente proporcional a qualidade.
c. Podem ser especializados em obras de um tipo que tem enorme demanda naquela cidade ou região. Podem estar há mais tempo no mercado, e por isso com mais clientes acumulados.
9) Arquiteto(s) que tem poucas obras
a. Bem, quantidade não é qualidade. Alguns profissionais simplesmente têm mais obras fora da cidade do que dentro dela. Alguns nem divulgam, não dá tempo ou não muda muita coisa de imediato. Não gostam de colocar placa, ou a placa não foi levada, entregue, ou não faz parte do seu roteiro o nicho urbano que trabalham: acontece de profissionais terem mais obras em determinada região.
b. Podem realizar muito mais tarefas por obra que outros. Alguns profissionais fazem o projeto apenas e passam o resto para frente, o que é ótimo para o giro do trabalho. Outros, fazem mais etapas por projeto, e por isso parecem ter “menos projetos”. Alguns são especializados em obras de shopping, ou obras de caráter industrial, ou hospitais e clínicas, ou comerciais, ou decoração onde nem sempre se coloca placa. Isso não quer dizer também que não saibam fazer projetos de outra tipologia: verifique a base do repertório de cada profissional, conversando com ele. Provavelmente ele dirá que faz todos os tipos (a maioria faz mesmo!) e não pense que porque ele nunca fez aquela tipologia ele será incapaz ou não terá experiência em iniciar um modo novo, um projeto diferente, uma coisa que ele nunca fez: fazer coisas novas e improváveis, experimentar maneiras revolucionárias e acertar com grande qualidade é uma característica paralela a todas as outras num escritório de arquitetura... é disso que tratamos, esse é o nosso trabalho.
c. Podem atuar em áreas como aprovações, restauro, urbanismo, institucionais como CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), podem defender ONGs voltadas para arquitetura, etc.
d. Por algum motivo, como a própria história ou perfil pessoal, não assina obras, mesmo desenvolvendo o projeto inteiro para outro arquiteto(a) ou escritório. Já vi isso mais de uma vez. Isso não quer dizer que não saiba - aliás, pode saber muito melhor que o que tem muitas placas. Mas talvez não tenha o perfil de profissional autônomo, liberal, que trata e negocia com o cliente, e assume todos os prós e contras do trabalho autônomo - que dá tanto trabalho e consome tantas horas da vida do arquiteto(a) que muitos preferem poder viver em horário comercial de gente normal... afinal de contas, tudo tem seu preço.

10) Arquiteto(s) de projetos de revista
a. Nem todo projeto bom na foto é um projeto bom para ser vivido. São como pessoas, as vezes lindas na foto mas nem tanto no convívio. Temos tendência a acreditar que um projeto lindo é perfeito mas nem sempre isso é verdade. Um projeto perfeito é aquele que dosa tudo da melhor forma possível, mas que sobretudo, é delicioso de se usar e não te cansa, nem te escraviza para manter a aparência da foto, que no dia a dia, geralmente é inviável. Afinal de contas, o pó entra na casa do pobre e na do rico também.
b. Alguns projetos são maravilhosos tanto por dentro quanto por fora, são duráveis e consistentes no quesito valores agregados e usabilidade. Mas muito cuidado com projetos que são feitos com insistência ou força para se valorizar muito mais a fachada que a parte interna: isso pode demonstrar interesse do profissional em “construir portfolio com seu dinheiro”, o que quer dizer que, a vaidade de um projeto para publicação foi maior que a consciência de um projeto que talvez fosse melhor se mais discreto para você, bom, isso é conforme o caso. A estrutura de trabalho que valoriza apenas a aparência não ocorrerá apenas no projeto, mas em todo o seu relacionamento com o tal profissional. me 
c. Fotos não demonstram os 80% mais importantes de um projeto, o que difere por exemplo, a sinestesia que transforma uma casa num lar, o componente arquitetônico. Muito disso é claro, é construído pelo próprio uso. Mas o uso e os valores do usuário podem ser fortemente influenciados pela proposta do design, que as vezes escraviza pela aparência e o local começa a ficar “irritante” porque foi pensado para ser impecável e não para a vida do dia-a-dia. Mas projetos para o dia-a-dia muitas vezes (se não geralmente) são mais discretos e simples que os pensados para fotografia apenas (não estou falando de minimalismo, mas de sincretismo contemporaneo e excessos suntuosos). Exemplo disso são as fachadas envidraçadas que pegam sol o tempo todo... quem não conhece alguém que cometeu esse erro?... São lindas na foto, mas... 
d. Projeto suntuoso e lindo na foto não quer dizer projeto ruim ou questionável, nem projeto simples quer dizer projeto bom. Normalmente é o contrário... Este item foi inserido apenas porque muitas pessoas não sabem que as mostras de arquitetura ou decoração são conceituais, e não necessariamente voltadas são voltadas para a vida real. Dependendo do estilo de quem monta o ambiente, são em alguns casos, ensaios e estado de arte, instalações artísticas e conceituais, são mais usadas para demonstrar capacidade de ousadia ou contatos comerciais e combinações com fornecedores do que uma boa capacidade criativa para soluções dos projetos reais, muitas vezes. São lindos nas fotos, mas algumas vezes impraticáveis, principalmente quando se tratam de residências. Já vi muitos ambientes absolutamente praticáveis e perfeitos para o dia a dia, mas nem sempre isso é considerado. Tenha olhar crítico!
e. Projetos comerciais normalmente aceitam muito melhor o estilo “intacto para a foto”, do que projetos residenciais. Como são comerciais e portanto, mais impessoais, aceitam uma rotina mais engessada, mais fria, mais formal e imutável. Projetos residenciais são mais quentes e dinâmicos, tem mais intimidade com o corpo e com a mente do usuário/vivente do ambiente.
Um lindo prédio europeu, de vidro que seria, no Brasil, muito bom para simular um forno microondas gigante ou uma camara de exterminio em massa, para o público ver.








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